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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Ocupação em Defesa da Cultura

Um encontro em defesa da cultura reuniu os presentes na última Ocupação Cultural. Realizada no Centro Cultural Olívia Barradas no último sábado, 29 de maio, a Ocupação, que já acontece há mais de 7 anos é um sarau gratuito envolvendo as múltiplas linguagens artísticas e já realizou edições em diversos espaços como escolas, universidades e centros culturais à exemplo do sebo Praia dos Livros em Salvador, UFRB, em Santo Antônio de Jesus e Pouso da Palavra, em Cachoeira. Em Valença, o movimento que acontecia quinzenalmente às sextas, no Centro de Cultura, ainda não havia acontecido este semestre e estava programado para se iniciar com o tradicional “Forró dos Artistas”, no dia 2 de Julho, porém, segundo seu idealizador, o poeta Adriano Pereira, “a Ocupação foi antecipada devido a esse grande momento que o país está vivendo. Fortalecendo a luta que vem acontecendo em todo o Brasil com a ocupação do MINC, aproveitamos o feriado prolongado e, de forma, celebrativa, voltamos a nos reunir. A ideia foi também fortalecer outros movimentos como o coletivo “meu black”, que, durante todo a tarde realizou oficinas e apresentações no centro de cultura. Outra cultura local presente foi a Quadrilha os Esfarrapados. Fundada no ano 1990, na escola municipal Samuel do vale Lacerda para animar a festa de são João da escola, neste mesmo ano foi a 2 colocada no campeonato de quadrilhas do SESI Valença com o tema “as máquinas falam o suor do trabalho”. Daí por diante começou uma trajetória de campeonatos que lhe rendeu 20 títulos de campeã em Valença. Há três anos é filiada a Febaq (Federação Baiana de Quadrilhas) representando o município. De Valença. Formada por 60 pessoas sendo 40 dançarinos, a Esfarrapados este ano homenageia a Festa do Amparo com o tema “minha procissão é no asfalto, minha igreja é no alto”. Mas corre o risco deste ano não participar do circuito quadrilheiro que já se inicia no dia 04, com o Forró do Galinho por falta de recursos. A quadrilha está realizando pedágios na cidade de Valença à procura de apoio. Para o teatrólogo e arte-educador Chico Nascimento, presente desde a primeira edição, “A Ocupação Cultural de Valença, criada pelo artista Adriano Pereira, tem a força aglutinadora da arte revolucionária da gente criativa do Baixo Sul da Bahia. Mantém portas abertas a todo tipo de manifestação artístico-cultural. Ocupar e conjugar o verbo na sua intensidade poética, derivar o humano da humanidade literária.”. Pra que serve a Ocupação? – questiona Chico – “Para revolucionar as cabeças de quem acredita na força da Arte! O tempo é um senhor soberano que não distingue linguagens, mas revela-se na diversidade de quem quer ocupar e rimar luz e ação com liberdade! A Ocupação Cultural é a festa lúdica de artistas e plateias, de criadores da contemporaneidade significativa de cada participante. É um misto de vivências e espetáculos, renovando-se a cada novo encontro!” “A ocupação cultural do dia 28 de maio reafirmou a riqueza, a resistência e diversidade que reina na cena cultural valenciana. Em um momento de obscurantismo que reina no país, ela ajuda a nos fazer seguir em frente, mostrando que a arte e a cultura liberta”. - declarou o poeta Ricardo Vidal, co-autor do Manifesto de Lançamento da Ocupação. O mesmo sentimento é partilhado por Zai Pereira, da banda Aimorés, que aproveitou para anunciar o lançamento do seu cd. “Fiquei feliz em participar da Ocupação porque vi uma nova geração de artistas valencianos fazendo o que fazíamos a sete anos atrás. Gente de todas as idades, comungando a arte, reivindicando direitos e compartilhando os seus dons. Como nos versos de Gonzaguinha, 'Eu acredito é na rapaziada que segue em frente e segura o rojão' ". Para Ronaldo Soares, estudante do IFBA e músico, "a ocupação cultural foi um grande projeto e ideia ao reunir artistas de diversas áreas pra um momento de cultura, onde você pode mostrar um pouco do seu trabalho. Contribuir para esse cenário é uma grande experiência, que tive o imenso prazer de ter, agora pela segunda vez, e pra mim é algo de extrema importância também pelo fato de estar adentrando pelos caminhos da arte agora, como musico, cantor e compositor, e me deparar com grandes figuras do cenário cultural de Valença, trocar experiências e ideias com essas pessoas, é um grande ponto pra levar na minha bagagem. Da primeira vez em cachoeira, fui a uma cidade totalmente cultural e boêmia, e foi uma experiência nova da qual sempre irei lembrar, acompanhado de feras da musica e poesia valenciana como o David Terra, Adriano Pereira, Otávio Mota, entre outros, e ter aquele contato com a arte lá em Cachoeira através da Ocupação Cultural, foi algo determinante pra mim. A partir dali vi que minha praia seria essa, agora pela segunda vez aqui em Valença, só ajudou a fortalecer essa convicção em mim". Da mesma opinião é Vandame Portuguez, ele que é aluno da Escola Municipal Augusta Messias, no bairro da Urbis e também participou da Ocupação em Cachoeira, desta vez acompanhou também a divulgação nas rádios locais e cantou no último sábado. “Foi mais uma experiência muito boa pra mim em estar ajudando a fortalecer a cultura Valençiana, com toda essa galera, que vem fazendo a Ocupação Cultural. Pra mim é um prazer enorme”. Para o estudante do IFBA, Manoel Soares, que participou pela primeira vez da Ocupação, “o projeto ocupação foi muito importante pois tive a oportunidade de expor minha poesia. É um espaço super aberto à cultura. Parabenizo a equipe organizadora por tal ideia e espero estar participando do próximo. Da pra ver que é um projeto que quer dar oportunidade para os que nunca tiveram tal oportunidade para expor a sua arte”. Everton Krull, rapper valenciano, também participou pela primeira vez da Ocupação e reafirmou a sua importância. “As pessoas hoje em dia estão se afastando cada vez mais dos movimentos culturais principalmente os regionais, então ter um momento como esse é muito bom” – declarou. “Sempre que posso estou presente na Ocupação Cultural, mas no último sábado fiquei muito feliz em ver que Valença tem um potencial artístico muito grande e isso ficou evidenciado nas apresentações dos jovens artistas, mas também nas dos veteranos. Este contato entre gerações foi emocionante. Muita gente de talento!” – declarou Hilas Almeida. A Ocupação, que contou ainda com as apresentações dos atores Juliano Britto e Geilson Brito, do rapper Filipe Luz e dos jovens Henrique Teixeira e Graciele Coutinho pretende voltar em Julho ao Centro de Cultura de Valença

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