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quinta-feira, 9 de junho de 2011

III FORRÓ DOS ARTISTAS SERÁ O FORRÓ DA INDEPENDÊNCIA EM 1º DE JULHO


Em Maio mostramos com brilho e beleza a força de rei do reggae, Bob Marley, num tributo aos 30 anos de quando nos deixou. Agora chegou a hora de voltarmos a nos reunir para homenagear um outro rei: Seu Luiz Gonzaga do Nascimento, para os íntimos, Mestre Lua, Rei do Baião.

O III Forró dos Artistas pretende ser o último dos festejos juninos, ultrapassando os limites das festividades de São Pedro, tornando-se assim o Forró da Independência, visto que será realizado no dia 1º de Julho de 2011, no Centro de Cultura de Valença, a partir das 18h.

Se na última, os DJs Tony Miller e Marlon Marley comandaram as pick ups e microfones, desta vez quem solta a voz e as cordas é Isaias Menezes, que promete um repertório eclético, com releituras de forrós e clássicos da música nordestina. E para animar a quadrilha, já está confirmado Marinaldo Coutinho.

Como nos anos anteriores, sugerimos que cada ocupante leve um litro de licor ou prato típico para a nossa confraternização, além de ir caracterizado. Convocamos nossos parceiros para divulgar, participar e em especial os artistas que pretendem apresentar seus trabalhos para que entrem em contato o quanto antes confirmando suas participações para que melhor possamos divulgar e organizar as apresentações.

Como texto inspirador, valemo-nos do belíssimo artigo escrito pelo professor Moacir Saraiva, publicado no jornal Valença Agora de 01/07 a 07/07/2010, onde o mesmo registrou o nosso forró no ano passado. Reproduzimos abaixo trechos do artigo na esperança de que a beleza da última edição possa não só se repetir, mas extrapolá-las.

Um abraço e bons festejos juninos a tod@s


Adriano Pereira


SÃO JOÃO DIFERENTE

Para Adriano Pereira

O bom na vida é quando se consegue agir de forma diferente. Não é fácil tal intento, uma vez que a grande maioria prefere agir sem pensar e apenas repetir o que os demais criam e aqueles impulsionados pelo diferente, quase sempre não são compreendidos pelos seus contemporâneos e alguns chegam a serem colocados na marginalidade.

Agora, neste período junino, houve muitos eventos festivos comemorativos ao santo que deu um grande aviso à humanidade através de uma fogueira. A maioria das festas deste mês, constituem-se em mais uma em que se celebra a alegria, regada a milho, muito licor, amendoim em abundância, canjica aos montões, enfim, muitos ingredientes que transpiram o São João.

Em 18 de junho, no Centro de Cultura, na boca da noite, foi realizado um São João diferente, organizado por aqueles que fazem a Ocupação Cultural. Não faltaram os ingredientes comuns à festa acontecida em volta de uma fogueira, no entanto apareceram outros elementos, que assim como as labaredas da fogueira à qual gerou a festa de São João, trouxeram uma série de avisos aos valencianos.

Os participantes desta célebre Ocupação Cultural se juntaram, e juntos com seu fervor em defesa da cultura, produziram labaredas imensas, nem tanto pela altura, mas pelo vigor, pela força , pela vitalidade. Produziram uma labareda falante, aliás, labaredas uivantes. Foi uma fogueira humana composta de madeiras novas, madeiras idosas, madeiras recém-nascidas, madeiras de várias matizes, madeiras observadoras, madeiras falantes, cantantes, dançantes, mas todas produzindo o fogo da resistência e da persistência, uivando em defesa da cultura do povo valenciano.

A fogueira, o amendoim, o licor, a castanha, a canjica, a música de Gonzagão não faltaram, mas a diferença foram as poesias declamadas,os textos lidos, as cenas representadas, manifestos defendendo minorias, as histórias da cidade. Que celebração diferente,que celebração cheia de vida, que celebração histórica, que celebração anunciadora e denunciadora.

No 18 de junho, as línguas de fogo nascidas desta fogueira humana anunciaram para todos os valencianos ouvirem que a Ocupação Cultural vai continuar cada vez mais forte e estas mesmas línguas de fogo soltaram uivos defendendo os prédios que fazem parte da história desta cidade e que ainda resistem à insensibilidade do poder público e a não valorização da história desta cidade por parte da sociedade que aqui reside.

As labaredas produzidas não pelo amontoamento de corpos a fim de se aquecerem, mas sim pelo amontoamento de idéias, das diferentes manifestações artísticas advindas de pessoas como Mustafá Rosember o decano do grupo presente, até o recém nascido neto de Juliano e Dóris (desculpem, esqueci o nome do menor “graveto” presente), todos sendo fogueira, ao redor de uma fogueira e produzindo fogo anunciando novos tempos e resistindo àqueles que teimam em não respeitarem o que os nossos ancestrais construíram.

Moacir Saraiva

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