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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Tributo a Bob Marley: Ocupação Cultural nos Caminhos do Reggae


11 de maio de 1981, o dia em que mundo chorou a perda do rei da reggae music Robert Nesta Marley. Ele tinha apenas 36 anos. Trinta anos se passaram e o brilho do maior astro jamaicano não perdeu o seu fulgor. Ao contrário, cresce a cada dia a legião de fãs que veneram e difundem o legado musical e filosófico de Bob Marley, assim como bandas e compositores de todo o mundo que são por ele influenciados. Efeitos da positive vibration, diria Marley. A favela de Trenchtown, no subúrbio de Kingston, capital jamaicana não podia imaginar que o menino Bob sairia de lá para se transformar no maior divulgador do reggae e do movimento Rastafari em cada canto do planeta. Maior prova disso é que sua coletânea Legend, lançada em 1984, é o disco de reggae mais vendido de todos os tempos. No Brasil, Bob Marley jogou uma partida de futebol ao lado de Chico Buarque, Toquinho, Fagner, Moraes Moreira e o craque tricampeão Paulo César, em 1980. Infelizmente não pisou em solo baiano. Mas, já em 1971, Caetano Veloso, ainda no exílio, mostrava a influência de Marley na faixa Nine Out of Ten do álbum Transa. Alguns anos depois, em 1979 foi a vez de Gilberto Gil: Não Chore Mais, versão de No Woman, no Cry, de Bob. Aliás, Gil sempre declarou a influência de Marley em sua obra e em 2002 gravou o álbum Kaya N'Gan Daya, só com músicas do ídolo. Além disso, Gil participou do histórico show de Jimmy Cliff, parceiro de Bob Marley, em 1980, na Fonte Nova, em Salvador.
A relação da Bahia com Marley, também se expressa em alguns clássicos da musica baiana. “Tem, tem, tem dois neguinhos / Um morava na Jamaica, outro mora no Brasil / Um se chamava Bob Marley e o outro é Gilberto Gil / Mas Bob Marley foi se embora e se foi para o além / Mas deixou Gilberto Gil, que está indo muito bem”, diz a canção de Celso Bahia. Negro Tenga do Muzenza também dá uma ideia do que representa Bob Marley para os baianos na canção gravada, entre outros, por Gal Costa: Brilho de Beleza: “O negro segura a cabeça com a mão e chora / E chora, sentindo a falta do rei / Quando ele explodiu pelo mundo / Ele lançou seu brilho de beleza / Bob Marley pra sempre estará / No coração de toda a raça negra”.
Neste mês, tributos a Bob Marley estarão acontecendo em todo o mundo e Valença terá o seu. A articulação do Projeto Ocupação Cultural com o programa Caminhos do Reggae está promovendo o evento Ocupação Cultural + 4º Sound System Caminhos do Reggae no próximo dia 21, a partir das 16 horas no Centro de Cultura Olívia Barradas, em Valença. Adriano Pereira falou ao Valença Agora sobre a iniciativa de sua produtora OPECADO e do Programa Caminhos do Reggae dos DJ’s Tony Miller e Marlon Marley “Coincidências não são por acaso. E quando decidimos realizar a Ocupação Cultural, numa edição ritmada pelo reggae, trazendo a memória os 30 anos de saudade da lendária figura do rasta man mundial Robert Nesta Marley, não tínhamos a dimensão da união que a sua mensagem poderia provocar... o evento promete ser um grande encontro de regueiros de toda a região”. Tony Miller aproveitou para avisar aos seus féis ouvintes que: “Este 4º Sound System contará também com transmissão ao vivo, diretamente do Centro de Cultura, do programa Caminhos do Reggae, que vai ao ar todos os sábados das 18 às 20h pela rádio Comunitária Rio Una FM”. Já Marlon Marley se apressou em dizer que “Os artistas interessados em participar ainda podem encontrar as inscrições abertas e devem entrar em contato o quanto antes para que melhor possamos organizar e divulgar o evento”. Estão confirmadas as participações de David William e Matheus Magyver, integrantes da banda Os 4 Elementos; Cia de Dança Filhos da Terra; Thiago Mascarenhas da Cia. de Dança Movements; BBoys do Grupo Sombras em Movimento e do Grupo Bad; Jamile Menezes e Luiz Henrique. Além de ser transmitido ao vivo pela Rio Una FM, a Ocupação Cultural + 4º Sound System Caminhos do Reggae, será transmitido em vídeo para área externa do Centro de Cultura, sob a direção do cineasta valenciano Murilo Deolino, o qual também produzirá um documentário em DVD sobre evento. O Valença Agora, que nesta edição comemora seus dez anos de existência, apoia a iniciativa, em conformidade com seu Programa de Apoio Cultural, pelo que é reconhecido entre os agentes culturais do Baixo Sul por fomentar a cultura na região.

* Texto publicado no jornal Valença Agora - 12/05 - Coluna Cultura e Cidadania por Plutarco Drumond

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