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terça-feira, 23 de novembro de 2010

UM RE-ENCONTRO COM A HISTÓRIA


Quando Adriano Pereira irrompeu o Centro de Cultura montado numa moto e incendiando as poesias de Otávio Mota, o homenageado da noite, a maioria da jovem platéia não compreendeu e deve ter achado mais uma das loucuras do produtor da Ocupação. No entanto, nas retinas dos mais velhos, passava-se um fleche back, do início dos anos 80, quando o jovem Otávio expôs poemas queimados por cigarro durante a I Semana de Artes Valenciana, quando seu Apocalipse Man adentrou os palcos numa frenética correria por nada menos que 20 cidades da Bahia. Quando o GOTA – Grupo Oficina de Teatro Amador, surgiu como “uma voz que canta para despertar o dia”.
Ali uma história viva começava a ser recontada para deleite dos presentes, velhos e novos. Na tela, alternaram-se imagens do poeta, com trilha sonora do poeta que cantava: “agora eu quero tudo, tudo outra vez”...
E como não poderia deixar de ser, o caranguejo com cérebro, ator mais velho do grupo, Juliano Britto deu sequência à homenagem recitando Andada de caranguejo, do livro Valenciando.
Gota a Gota, veio Irene Dores, interpretando a “Fantasia Convencional” – do livro Pensar Fluídos.
Mas o teatro de Otávio pedia passagem. E veio na belíssima interpretação de Marinaldo Coutinho e Geilson de Britto, respectivamente Calu e o Rei Raul – obra prima do poeta. Com uma trilha impecável, reforçada pela iluminação de Manoel Santos, o público pôde rir e deliciar-se com um autêntico espetáculo valenciano. Uma saga de amor explícito e bem humorada.
“Meu poema é da praça/ é da rua/ é da senzala...” – sentenciou Otávio no poema Abolição. E para reforçar a negritude do poeta, quem assumiu o palco foi o Grupo Afro Filhos da Terra, dirigido por Célia Praesent, numa coreografia alusiva ao Dia Nacional da Consciência Negra, a ser comemorado no dia 20 de Novembro.
Mas um poeta tem também momentos de solidão. E foi este o poema recitado por Jamile Menezes, precedido da música homônima de Paulinho da Viola. E se a palavra é melodia, foi o que Henrique Menezes fez com o poema Desencanto.
Una te Quero Una! – recitou Isabela Britto, relembrando os atentados que eram cometidos contra o rio que corta a cidade, denunciados por Mota em seu poema-poster na década de 80 e que, infelizmente, ainda persistem.
E se o tema era a preocupação ambiental, ela foi relembrada na música Ar, com letra de Otávio e música da banda Quilombra, tocada ao violão por David Willyan. Continuando, David tocou o sucesso “Zambiapunga Elétrica” de sua banda Os 4 elementos. Foi a deixa para Otávio assumir o microfone e ao som do violão recitar seu poema “Argüida”.
“Velho é o tempo ao meu lado!” – brincou o presidente da AVELA, Alfredo Netto ao parabenizar o confrade. E uma espécie de dossiê artístico preparada por Djafar Araújo foi apresentada por Geilson de Brito.
O jovem Thyson Pereira recitou “Poema na Areia” e mais uma música foi tocada em homenagem ao poeta. “Muito Romântico” – de Caetano Veloso, com Moab ao violão serviu de trilha para o dueto improvisado por Adriano Pereira e David Willyan relembrando trechos da peça Teatro Nu, escrita por Otávio e vencedora do Festival de Teatro do Baixo Sul em 2002.
E os improvisos surgiram num encontro de gerações. Antônio Ourives (73) e Mateus Santana (22), homenagearam o autor de “bar em bar”com a canção Boemia. Juliano Britto e Adriano Pereira numa Ode ao amor desesperado se juntaram para trazer a frente o homenageado que foi recebido ao som de samba com todos cantando os parabéns!
Após as homenagens, a noite terminou com uma noite longa de rock’n’roll comandada pela Banda No i Feel.

Um comentário:

  1. Você broca nos textos, véi! Eu revivi a Ocupação lendo. Menos a parte da moto que eu não vi! =(

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