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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O CENTRO DE CULTURA NA MINHA VIDA


Esse texto trata-se de um desabafo. De uma realidade pessoal, como o próprio título já diz. Falar sobre minha vida e não mencionar o Centro de Cultura Olívia Barradas de Valença, seus “integrantes” e frequentadores, não tem sentido; pois esse lugar e estas pessoas tem tido uma enorme contribuição para a minha formação cultural, meu lazer, para reforçar meu caráter e minha personalidade.
Quando eu estudava no Colégio Perspectiva, de 2000 a 2006, participava de um projeto chamado “Fest Cultura”, que era realizado no Centro. Durante o período em que eu e meus colegas ensaiávamos as apresentações (geralmente um mês), minhas idas lá eram frequentes, passávamos manhãs e tardes ensaiando nas salas, no palco, no anfiteatro e eu sempre achei lindo aquele lugar. No camarim, sentia o nervosismo antes de subir ao palco, olhava entre as cortinas a platéia lotada e esperava ansiosa minha apresentação. Assim foi por quatro anos, pois as outras edições do projeto foram realizadas no colégio, através de gincanas.
Passei um tempo sem frequentar o Centro de Cultura. Só ia quando tinha shows ou outro tipo de evento. Foi quando em 2009, Adriano Pereira me convidou para participar de um projeto, a “Ocupação Cultural”. Eu fui pela primeira vez só pra assistir e vi velhos e novos poetas e atores. Gente que eu nem sabia que escrevia, que atuava, que cantava e me surpreendi. Adriano me perguntou por que eu não me apresentava, só que eu dizia que não sabia fazer nada, que tinha vergonha. Ele disse: “Você sabe desenhar, porque não faz isso?” E foi o que eu fiz na 2ª e 3ª edições. Até que na 4ª eu não resisti. Era dia do teatro e do circo e eu sou fã de uma banda que une tudo isso numa coisa só “O Teatro Mágico”. Criei coragem e chamei minha amiga Isabella Britto, para apresentar comigo uma música e uma poesia do grupo, pintadas e vestidas de boneca assim como eles fazem (pra mim foi ótimo, pois tinha muita vergonha de apresentar de “cara lavada”), criamos as personagens “Zamília e Zabéllia”. Foi uma semana de ensaio e, novamente no Centro de Cultura, eu sentia as mesmas emoções do tempo de escola: a ansiedade, o frio na barriga, a insegurança (compensada pela segurança que Isa me passava), o companheirismo, a raiva do coleguinha irresponsável (David Willyam, que faltou todos os ensaios, mas na apresentação deu um show); enfim, era o Centro de Cultura voltando a fazer parte da minha vida. Depois daí e sempre incentivada por Adriano e outros amigos, eu comecei a cantar (formei até uma banda de rock, só de meninas, a “Flor de Vênus”), atuar, dançar e deixar que a arte, que eu gosto desde sempre, fazer parte de mim.
Desde então, eu passei a ir mais ao Centro, a assistir as diversas peças teatrais, a prestigiar exposições, participar de cursos, debates, conferências, tudo que esse maravilhoso lugar tem para oferecer e, infelizmente, a maioria da população não se interessa. E não digam que é por falta de divulgação, pois eu vejo o esforço da equipe para divulgar. É triste apresentar para pouca gente. É frustrante chamar todos os seus amigos para ver sua apresentação, ensaiar, pintar a cara e na hora, não ter ninguém que foi convidado. Mas, ao mesmo tempo, é gratificante ver o empenho de Adriano para realizar a Ocupação Cultural, na primeira sexta feira de cada mês; a dedicação de Tato Drummond em ministrar a oficina “Luz, palavra e som” em pleno domingo, das 16:00 às 19:00; os grupos de teatro, de ballet, de hip hop e tantos outros que lá ensaiam...
Enfim, é vendo a garra desse pessoal que eu acredito que vale a pena viver a arte e a cultura, que ter um projeto e investir nele com unhas e dentes não é fácil, mas é possível fazê-lo seguir em frente. Por isso, queria agradecer a Otávio Motta, coordenador do Centro, Ricardo Lemos, Tato Drummond, Lurdinha, Lucinha, Verônica, aos seguranças, a Adriano Pereira, Cadu Oliveira, J. Pincel, Juliano Britto, Araken Galvão... Enfim, a todas as pessoas, que me ajudaram muito e são ligadas direta e indiretamente a esse lugar que eu amo. É muita gente, não vou citar nome de todo mundo, pois posso esquecer e peço desculpas aos que não foram citados, mas minha gratidão será eterna e por mais que eu tenha tentado, não há palavras para descrever a importância do Centro de Cultura na minha vida.

* Este texto foi escrito por Jamile Menezes e publicado no jornal Valença Agora - Nº281, 16 a 22 de Setembro de 2010

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