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sábado, 3 de julho de 2010

FORRÓ DOS ARTISTAS REPERCUTE NA IMPRENSA LOCAL


Reproduzimos abaixo texto escrito pelo professor Moacir Saraiva, punlicado na edição Nº270 do Jornal Valença Agora.

SÃO JOÃO DIFERENTE

Para Adriano Pereira
O bom na vida é quando se consegue agir de forma diferente. Não é fácil tal intento, uma vez que a grande maioria prefere agir sem pensar e apenas repetir o que os demais criam e aqueles impulsionados pelo diferente, quase sempre não são compreendidos pelos seus contemporâneos e alguns chegam a serem colocados na marginalidade.
Agora, neste período junino, houve muitos eventos festivos comemorativos ao santo que deu um grande aviso à humanidade através de uma fogueira. A maioria das festas deste mês, constituem-se em mais uma em que se celebra a alegria, regada a milho, muito licor, amendoim em abundância, canjica aos montões, enfim, muitos ingredientes que transpiram o São João.
Em 18 de junho, no Centro de Cultura, na boca da noite, foi realizado um São João diferente, organizado por aqueles que fazem a Ocupação Cultural. Não faltaram os ingredientes comuns à festa acontecida em volta de uma fogueira, no entanto apareceram outros elementos, que assim como as labaredas da fogueira à qual gerou a festa de São João, trouxeram uma série de avisos aos valencianos.
Os participantes desta célebre Ocupação Cultural se juntaram, e juntos com seu fervor em defesa da cultura, produziram labaredas imensas, nem tanto pela altura, mas pelo vigor, pela força , pela vitalidade. Produziram uma labareda falante, aliás, labaredas uivantes. Foi uma fogueira humana composta de madeiras novas, madeiras idosas, madeiras recém-nascidas, madeiras de várias matizes, madeiras observadoras, madeiras falantes, cantantes, dançantes, mas todas produzindo o fogo da resistência e da persistência, uivando em defesa da cultura do povo valenciano.
A fogueira, o amendoim, o licor, a castanha, a canjica, a música de Gonzagão não faltaram, mas a diferença foram as poesias declamadas,os textos lidos, as cenas representadas, manifestos defendendo minorias, as histórias da cidade. Que celebração diferente,que celebração cheia de vida, que celebração histórica, que celebração anunciadora e denunciadora.
No 18 de junho, as línguas de fogo nascidas desta fogueira humana anunciaram para todos os valencianos ouvirem que a Ocupação Cultural vai continuar cada vez mais forte e estas mesmas línguas de fogo soltaram uivos defendendo os prédios que fazem parte da história desta cidade e que ainda resistem à insensibilidade do poder público e a não valorização da história desta cidade por parte da sociedade que aqui reside.
As labaredas produzidas não pelo amontoamento de corpos a fim de se aquecerem, mas sim pelo amontoamento de idéias, das diferentes manifestações artísticas advindas de pessoas como Mustafá Rosember o decano do grupo presente, até a recém nascida neta de Juliano e Dóris (desculpem, esqueci o nome do menor “graveto” presente), todos sendo fogueira, ao redor de uma fogueira e produzindo fogo anunciando novos tempos e resistindo àqueles que teimam em não respeitarem o que os nossos ancestrais construíram.

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