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sexta-feira, 14 de maio de 2010

OCUPAÇÃO CULTURAL: QUEM SABE FAZ A HORA, NÃO ESPERA ACONTECER!


Ainda é tempo de viver e contar.
Certas histórias não se perderam
(Drumond de Andrade)

Quando realizamos as primeiras Ocupações ano passado, talvez não tivéssemos a dimensão de como tudo iria acontecer nem como as coisas iam se desenrolar. Mas, com a cara, nem sempre limpa, a coragem, a ousadia de quem prefere arriscar e fracassar, a simplesmente cruzar os braços e nada fazer, assumimos os riscos e desafios.
Lembro, ainda na primeira, Galvão chegando como platéia, o que aumentou nossa moral e dizendo-me: - “É algo audacioso manter o projeto a cada 15 dias. Tomara que dê certo”- Suas palavras, embora carregadas de insegurança eram sinceras. De gente que também não desiste, e, ao contrário de outros, sempre apoiou a iniciativa e fez - aliás, continua fazendo tudo - ao seu alcance para que vinguemos. Isso ficou nítido em dois artigos que publicou à época no jornal Valença Agora. De sua trincheira, convocava os membros da AVELA, a população valenciana a comparecer, a prestigiar e fortalecer o evento. Sua militância e presença rendeu-nos uma moção de apoio da própria Academia e a presença, mesmo que esporádica de gente como Mustafá Rosemberg, Amália Grimaldi, Moacir Saraiva, Alfredo Netto, Raimundinha e muitos outros.
Nunca esqueceremos nem deixamos de reconhecer o apoio de órgãos como a APLB-Sindicato, DIREC, gente como Juliano Britto, Irene Dóris, Ricardo Lemos, Otávio Mota e outros não tão conhecidos, mas não menos importantes como Ricardo Vidal, Jamile Menezes, Henrique, Isaias, Elinho, Judson, Thyson, Ricardo Negrão, Etevaldo, Adriana, Maria Cláudia, J. Pincel, Geilson, Isabela e o Art&Manha, Djafar Araújo, Marinaldo e Jhecy Coutinho, David Willyan, Marcelo Natureza, Chico Nascimento, Léo Macedo, Eduardo Oliveira, Tato Drumond, Marcela, Lurdinha... enfim, tantos que ao longo de um ano, contribuíram de alguma forma para que cada edição fosse realizada e que seria humanamente impossível registrar aqui. Mas saibam que o nome de cada um está gravado na história da arte valenciana.
Encerramos o ano de 2009 com 24 Ocupações, realização de duas oficinas, participação de diversas cidades como Taperoá, Camamu, Tancredo Neves, Nilo Peçanha, Wenceslau Guimarães e Salvador. Essa perspectiva nos animou a estender em 2010 o projeto para o Baixo Sul da Bahia, percorrendo pelo menos 10 cidades e culminar com uma grande mostra em dezembro deste ano. Feito o projeto, realizamos diversos contatos para a concretização dos objetivos.
Infelizmente, por diversas razões, o ano de 2010 começou muito mais difícil para todos nós. Sem patrocínios e nenhum recurso até o momento, mantivemos, com dificuldades, a realização das Ocupações quinzenalmente no Centro de Cultura. A cada edição, um esforço titânico para realizar a próxima. Pela ausência de um som adequado, tivemos que cancelar por diversas vezes a apresentação de grupos musicais que se dispuseram a tocar gratuitamente no projeto. Não desanimamos, mas o desgaste era visível a cada Ocupação, apesar de nossos esforços.
Na ultima, realizada dia 07, tivemos um pequeno número de artistas presentes e um público formado basicamente pelos mesmos artistas. Mesmo assim, não desistimos e a Ocupação aconteceu. Entre os presentes a unânime certeza da necessidade de continuar a realizá-la remando contra a corrente.
Na abertura, texto de Zé Henrique, cujo trecho reproduzo aqui, mas pode ser lido na íntegra em nosso blog (http://ocupacaocultural.blogspot.com): “Hoje o panis et circenses midiático sugou suas entonações e a arte mendiga seu público. Mas adeptos vorazes dessa deusa, se entregam à morte como os antigos cristãos no coliseu, sem medo do resto da sociedade, esperando vê-los serem comidos por essa fera: a ignorância.
A fé deles é imensurável. Não morrerá com o tempo, este deus amigo da arte, que faz nós mortais amá-la, através da razão”.
Destaque também para uma outra fala proferida pelo velho mestre Juliano que, mesmo doente, não deixou de comparecer e dar seu recado: “Enquanto tivermos Henrique que filou aula para estar aqui hoje, Jefferson que saiu de Cruz das Almas, Eduardo de Salvador, Bruno, Day, Jamile, Crisol... cada um que se esforçou para estar aqui hoje, a Ocupação irá continuar!”
Neste momento é impossível não recordar Juliano, ainda na segunda Ocupação em 2009, contando metaforicamente a história da Ocupação Cultural:
“Certo dia, na floresta, começou uma corrida de sapos. E eles saíram correndo para ver quem chegaria até o final. Alguns nem entraram na corrida. Outros desistiram no caminho. Mas alguns sapinhos continuaram, embora cada vez mais aumentasse o coro: - Eles não vão conseguir! Eles não vão conseguir! E os sapinhos continuaram correndo... ouvindo o coro que aumentava, outros desistiram. Mas um pequeno grupo continuou e finalmente chegou até o final. Só então descobriram que aqueles que chegaram ao final eram surdos, por que se ouvissem como os outros também teriam desistido e não chegariam.”
Nossa caminhada ainda não terminou. Até por que não sabemos se existe uma meta de chegada. Como dizia um outro poeta: “o importante não é a partida nem a chegada. É a travessia”. E ao longo de nossa travessia temos aprendido muito. O caminho se faz ao caminhar!
Caminhemos e cantemos, então...

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