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sábado, 3 de abril de 2010

OCUPAÇÃO POR JOSÉ HENRIQUE



O mundo e suas formas de interesses permanecem um mistério.
Em 1922, Jacinto Benavente ganha o Nobel de Literatura pelo livro Os Interesses Criados. Recusando-se a comparecer, talvez por timidez, uma pessoa um tanto ilustre ganhou o Nobel de Física, sir Eintein. Talvez não tivesse criado um interesse pelo prêmio.
Interessante. Alguns recusam-se ao reconhecimento de um trabalho artístico, outros em não apreciar o alheio .
No coliseu, em suas "melhores" épocas, apenas sentadas, cinquenta mil pessoas ocupavam seus lugares. Romanos se animavam em ir ver desgraçados de toda a espécie serem mortos de muitas formas possíveis -que celebração!
Em pleno século 21, o interior da Bahia , abriga uma cidade chamada Valença.
Ao contrário dos antigos romanos, pessoas que celebram a arte. Alguns se entretêm não com carnificina, mas com os mais variados moldes artísticos.
Ao contrário do coliseu, que a sociedade romana se predispunha a frequentar, existe a Ocupação Cultural do Centro de Cultura valenciano, onde quando nos melhores de seus dias já compareceram mais de 30 artistas.
A sociedade em sua eterna busca da tão propagada "civilização" inverte seus interesses e o que temos como um remoto exemplo de sociedade civilizada, é isto, a ignorância generalizada, um eterno retorno à barbárie, em que vantagens materiais, e de fútil informação e entretenimento baixo, a exemplo do big brother, soma-se mais ao caráter de uma pessoa do que celebrar o belo da vida em caracteres poéticos expressivos, como uma dança afro ou simplesmente exteriorizar seus sentimentos num canto-protesto musical, que no passado encantava multidões.
Hoje o panis et circenses midiático sugou suas entonações e a arte mendiga seu público, mas adeptos vorazes dessa deusa, se entregam à morte como os antigos cristãos no coliseu, sem medo do resto da sociedade, esperando vê-los serem comidos por essa fera : a ignorância.
A fé deles é imensurável. Não morrerá com o tempo, este deus amigo da arte, que faz nós mortais amá-la, através da razão.
Como dizia Jacinto Benavente "O amor é como Dom Quixote: quando recobra a razão, é para morrer".
É uma pena a arte ser uma deusa com santos seletos.

(Acima, a atriz Irene Dóris e a poetisa Celeste Martinez)

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