Seguidores da Ocupação

quarta-feira, 1 de julho de 2009


“Júlia gostava de Julho, mas sabia que Agosto viria morrendo de amor... Quando chega o mês de Julho, me lembro do meu amor!”
(Alceu Valença)

Já se vão quase seis meses desde que realizamos a primeira ocupação... De lá para cá muita coisa aconteceu. Confesso que, embora contamos com o apoio de muita gente boa, nem sempre tem sido fácil realizá-la.
Como profetizou o “velho Jhon”, muitas vezes, é preciso fazermo-nos de surdo para não ouvir aqueles que ficaram no caminho a gritar: - Eles não vão conseguir!
Agora, a “ocupação” encerrou sua primeira fase. Vivemos um momento talvez muito mais difícil, principalmente se considerarmos o “longo inverno” que teremos nesses dois meses fora do Centro de Cultura, onde só retornaremos em setembro... Até lá, viveremos talvez o maior desafio: dispersarmo-nos nesse período ou nos aproximarmo-nos ainda mais consolidando-a de vez.
Como diz Leonardo Boff, toda crise é criativa e faz-nos refletir e amadurecer. A crise acrisola-nos e do casulo poderá sair uma linda borboleta... Por outro lado, “Não existirá uma arca de Noé onde se salvarão alguns. Ou nos salvamos juntos, ou pereceremos todos”.
Insisto nessas palavras por que acredito na solidariedade. Na capacidade de criarmos alternativas e de pensarmos coletivamente em soluções... A primeira delas já foi criada: a realização da próxima edição no campus da UNEB, próximo dia 10 de Julho, às 18 horas, a qual convocamos todos para participarem. Mas precisamos ainda garantir o espaço de pelo menos mais três edições até “entrar setembro”...
Aproveitando a metáfora do “inverno”, reproduzo abaixo um texto para reflexão:

“Durante uma era glacial bem remota, quando parte do nosso planeta se achava coberto de gelo, muitos animais, não resistiram ao frio e morreram. Morreram indefesos, por não se adaptarem às condições do clima hostil.
Foi então que uma grande leva de porcos espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, a juntar-se mais e mais. Bem mais próximos um do outro, cada qual podia sentir o calor do corpo do outro. E assim, bem juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente. Assim, aquecidos, conseguiram enfrentar por mais tempo aquele terrível inverno.
Vida ingrata, porém... os espinhos de cada um começaram incomodar, a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhe forneciam mais calor.
Feridos, magoados e sofridos, começaram a afastar-se. Por não mais suportarem os espinhos dos seus semelhantes, eles se dispersaram.
Novos problemas: afastados, separados, começaram a morrerem congelados.
Os que sobreviveram ao frio voltaram a se aproximar pouco a pouco, com jeito e preocupações. Unidos novamente, mas cada um conservando certa distância do outro. Distância mínima, mas suficiente para conviver, sem ferir, para sobreviver sem magoar, sem causar danos recíprocos.
Assim agindo, eles resistiram à longa era glacial. Apesar do frio e dos problemas, conseguiram sobreviver.”

Um abraço fraterno

Adriano Pereira

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Eh realmente entramos no inverno em todos os sentidos,porém agora ta na hora de mostrar o quanto valorizamos o projeto nos empenhando a leva-lo em frente,espero que o da UNEB seja tão bom ou melhor quanto os outros, porém para isso acontecer tem que haver a união de todos que apresentam, dos que assistem, os que ajudam na organização, cada um é peça fundamental nesse projeto, a ocupação é como um corpo humano que necessita de cada célula para que traballhe com eficiência...então vamos lá para essa nova etapa...afinal também é bom sair da rotina...

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